Facilitação Gráfica feita no tablet por Sidan ORafa durante a formação Game Design Thinking do ProfLab

 

Sem muita enrolação: facilitação gráfica é a arte de sistematizar informações usando ilustrações para produzir conhecimento. Optei por utilizar o termo ilustração porque quando falamos em desenho um certo terror toma conta daqueles que acreditam que não sabem desenhar. Eu particularmente acredito que todo mundo é capaz de desenhar. O que acontece é que, ao longo da vida, algumas pessoas estimulam mais essa habilidade do que outras. E já sabemos que muitas horas de prática são capazes de desenvolver qualquer tipo de competência.

Facilitações gráficas também são conhecidas como anotações visuais, colheitas gráficas e até mesmo registros visuais. O que pretendo chamar atenção aqui não é para o nome, mas sim para o processo. A facilitação gráfica é apenas uma das múltiplas formas de aplicação do Pensamento Visual para fins específicos, nesse caso registrar momentos, descomplicar conceitos e facilitar a aprendizagem.

Para produzir um registro o facilitador gráfico tem que estar atento à informação para ter condições de mergulhar fundo nas ideias e construir conhecimento a partir delas. É o mesmo procedimento que realizamos quando precisamos escrever. Na verdade, a facilitação gráfica é também uma forma de escrita. Esse conhecimento produzido pelo facilitador é apresentado através de elementos da linguagem visual que podem ser desenhos – feitos à mão ou não -, esquemas, infográficos, colagens etc. A escolha por determinado tipo de linguagem visual vai depender do repertório visual da pessoa e de como está montado o cenário para a produção desse registro. O que vemos hoje é uma série de facilitadores gráficos que produzem seus registros ao vivo durante eventos como, por exemplo, uma experiência de aprendizagem.

 

Painel gigante feito em papel pela equipe da Arte da Conversa durante a Academia de Google Innovators em 2017

 

A facilitação gráfica descomplica conceitos porque foca na essência da informação, destacando os elementos necessários ao entendimento de um conceito, descartando possíveis distrações ou redundâncias e esclarecendo ambiguidades. Muito semelhante ao fichamento de um livro, só que realizado em uma página única, seja ela no papel ou na tela. O processo de produção de uma facilitação gráfica faz com que o conteúdo nela contido não caia no esquecimento tanto para quem o vê como para quem produz. Para produzir o facilitador estuda ao observar o cenário, pensa ao fazer associações e destacar elementos, experimenta ao escolher a forma como vai representar visualmente e põe em prática quando desenha sua proposta. Uma jornada bem semelhante ao processo de aprendizagem regado a pitadas de Design Thinking.

Engana-se quem pensa que facilitação gráfica é uma novidade. Em todas as salas de aula por onde passei sempre havia alguém muito bom em resumir a aula através de anotações, inclusive visuais. Essas anotações geralmente eram compartilhadas e serviam como material de estudo no futuro. Volta e meia me pego recordando algum desses esquemas visuais que me ajudaram a entender assuntos complicados na escola, principalmente quando me deparei na universidade com esquemas e tabelas que me faziam chorar de tão complicados. Elementos esses que deveriam estar ali para ajudar a compreender o assunto. Que paradoxo!

O melhor da facilitação gráfica é que você não precisa ser um desenhista profissional para começar a sistematizar informações e produzir conhecimento. Eu mesma não tenho muita habilidade com o desenho à mão livre, mas me viro muito bem na ilustração vetorial. O importante é encontrar uma forma confortável de pensar e produzir visualmente. Não se trata de saber desenhar, e sim de ampliar repertório e desenvolver uma forma eficiente de transmitir uma ideia.

Registrar visualmente qualquer situação ou pensamento faz com que você se envolva. Isso desperta emoções e já sabemos que são as emoções que fazem com que uma experiências seja – ou não – significativa. Imagine então quando isso acontece em uma experiência de aprendizagem como aconteceu com Marcos Egito quando participou do ProfLab sobre Pensamento Visual e produziu a facilitação gráfica a seguir.

 

Facilitação Gráfica em aquarela feita por Marcos Egito após a formação sobre Pensamento Visual do ProfLab

 

O bom é que temos na nossa equipe um dos melhores facilitadores gráficos do país. Sidan ORafa está de volta ao Recife para promover mais um momento de formação sobre Pensamento Visual em ambientes de aprendizagem aqui no ProfLab. Vai acontecer no próximo dia 14 na unidade Aflitos da ABA Global Education, no Recife. E é com essa dica que termino esse texto: venha despertar habilidades adormecidas vivendo essa experiência com a gente. As inscrições estão abertas no link: http://bit.do/proflabpva

Falamos um pouco mais sobre Pensamento Visual no texto Todos somos capazes de desenhar publicado aqui no blog. Acesse também!


Karla Vidal

Karla Vidal é sócia da Pipa Comunicação onde atua há mais de 12 anos em projetos inovadores que unem comunicação, design e educação.

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