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A criatividade não é um tema novo na Educação.

Mas, quem acompanha as tendências na área, certamente tem notado o quanto a discussão ganhou fôlego recentemente.

Isso se deve em grande parte a avanços da ciência ao longo das últimas décadas. A Psicologia Cognitiva e a Neurociência têm chamado atenção para o papel da criatividade e da imaginação nos processos de aprendizagem e na capacidade de resolver problemas e inovar. É primordial que as instituições e abordagens de ensino acompanhem essa perspectiva: vivemos em um mundo que demanda cada vez mais soluções criativas para problemas complexos.

À medida que estudamos e compreendemos melhor o processo criativo, passamos a questionar muitas das crenças e entendimentos que temos como educadores. E isso é algo positivo: desconfiar das nossas certezas e reformulá-las continuamente significa que estamos aprendendo e evoluindo. Nessa ótica, podemos analisar algumas noções sobre criatividade que vêm sendo desconstruídas pela ciência e refletir sobre o quanto essas constatações podem nos ajudar a repensar e aprimorar nossas práticas.

1. “Restrito ao ‘lado artístico’ de cada um”.

Esse é um mito bastante conhecido. O senso comum associa a criatividade ao desenho, à pintura, à escrita poética. Essas atividades, consideradas artísticas, estão de fato ligadas a processos criativos, mas isso não quer dizer que sejam as únicas através das quais podemos expressar nossa criatividade. Um importante entendimento a respeito da criatividade é que em sua essência está o pensamento divergente, a capacidade de identificar soluções fora da caixa. Assim, a resolução de problemas em qualquer disciplina, da Matemática à Biologia, pode servir como meio de trabalhar a criatividade e estimular a imaginação.

2. “Professores costumam apreciar e estimular a criatividade dos alunos”.

Certamente o mito mais difícil de desconstruir. A ideia é incômoda, mas se mostra pertinente quando enumeramos as expressões de criatividade que costumamos apreciar: o trocadilho inteligente com uma palavra do livro didático, a anedota no meio da aula, a resposta engraçada na prova. Elas ajudam a descontrair, mas tem pouca relevância para os conceitos que devem ser aprendidos e as habilidades que pretendemos desenvolver. Quando lidamos com o que é pedagogicamente significativo, sentimos alívio e convicção ao identificar como corretas as respostas que reproduzem com precisão aquilo que esperávamos. E encaramos com estranhamento as tentativas de sair dos moldes do que ensinamos, aquelas que se situam “fora da caixa” que construímos para nossos alunos com as melhores intenções.

3. “Muito subjetivo pra ser trabalhado de forma consistente”.

Esse provavelmente é o mito mais nocivo, porque é o que muitas vezes nos impede de dar um primeiro passo. Como tratar algo tão abstrato? Apesar de seu caráter subjetivo, a criatividade pode ser trabalhada com foco e objetividade, tendo em vista ganhos claros em termos de aprendizagem. A ciência tem demonstrado que é possível promover a criatividade estudantil de forma sistemática, a partir de técnicas e ações concretas, e os benefícios são notáveis: melhor desempenho, mais interesse e maiores níveis de engajamento nas aulas.

Essas reflexões evidenciam a possibilidade e a importância de adotar o estímulo a processos criativos como um dos nossos objetivos ao planejar e conduzir aulas, projetos e atividades de aprendizagem. Buscar expandir nosso repertório de métodos e técnicas de ensino visando contemplar a criatividade estudantil é benéfico para os próprios estudantes, para a sociedade que eles ajudarão a construir e para nós mesmos: repensando e aprimorando nossas práticas, evoluímos junto com o campo da Educação.

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Felipe Brito

É comunicador, docente da Unidade de Educação a Distância e Tecnologia da UFRPE e viciado em cultura pop.

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